Preparei um pequeno artigo a respeito da energia escura, com base nas palestras feitas pelo DES – Brazil e em artigos da Scientifc American.
As ciências naturais e físicas evoluíam progressivamente, a partir da largada intelectual dada por Isaac Newton, no século XVII, entretanto, no início do século XX, a situação mudou, sendo que essa ciência deu um salto incrível, com o surgimento e conseqüente desenvolvimento da física quântica, acarretada pela física das partículas elementares.
Nesse ínterim, estão inseridos os debates a respeito do Universo, de sua formação, de sua constituição e é neste cenário que acontece uma das maiores mudanças de paradigma tanto da astronomia quanto da própria física modernas: a determinação teórica, corroborada observacionalmente, e posta como válida, da idéia de um universo em expansão, que desaceleraria com o tempo, de acordo com sua força gravitacional.
Com isso, para manter válida a teoria anteriormente nomeada e vulgarmente chamada de teoria do Big Bang, avanços científicos foram necessários, sendo por isso, até a determinação do valor da densidade crítica do universo foi pesquisada e aplicada a inúmeras áreas cosmológicas, afirmando ainda mais que o universo, de fato, expandia.
Contudo, em meados da década de 1990,resultados experimentais do satélite COBE, da NASA, enviou dados que propunham um universo não em desaceleração, mas em aceleração! Tal fato foi chocante a todos os cosmólogos, o que fez surgir a maior e incrivelmente persistente dúvida da astrofísica: o que é a energia escura?
Antes de tentar entender sobre esse questionamento, faz-se necessário explicar quais são os efeitos dela no universo como um todo. É importante ressaltar que antes do descobrimento da expansão acelerada do universo, pensava-se que seu alargamento deu-se apenas devido ao rompimento da estabilidade quanto-mecânica num infinitesimal ponto chamado singularidade, e cujo efeito foi a formação de tudo o que é detectado por nós mesmos ou por nossas tecnologias.
A partir daí, após certo período de tempo, de acordo com a quantidade de matéria formada, pela força gravitacional, o universo teria três fins: ele reverteria sua expansão desacelerada em retração acelerada, originando possivelmente um novo Big Bang; ele desaceleraria até parar com determinado “tamanho” e manter-se-ia assim indefinidamente; ou ele manteria sua expansão, entretanto com constante velocidade.
A energia escura foi um conceito de força antigravitacional atribuído a instigante expansão cósmica do universo, contradizendo toda a idéia de desaceleração, constantes evolutivas etc.Por isso, ela é tão misteriosa, além do mais, sua atuação não se deu (ou se dá) apenas na própria estrutura expansiva do tecido espacial, mas também na formação de galáxias e estruturas de larga escala, como aglomerados de galáxias e superaglomerados de galáxias, de forma que observações em raios X mostram essa formação.
Neste cenário de formações, até mesmo essa energia tem papel fundamental, de modo que interfere na produção de estrelas em uma galáxia, isso pelo fato de haver certas irregularidades na distribuição da radiação cósmica de fundo, originadas por alterações feitas pelos campos gravitacionais de estruturas cósmicas.
As lentes gravitacionais são fruto de tal força antigravitacional, surgidas pela curvatura espacial por objetos de grande massa, tornando assim a trajetória da luz curvilínea, deformando-a, criando diversas imagens de um mesmo objeto. Quanto maior o tamanho do universo – o que depende da quantidade de energia escura – mais provável esse tipo de alinhamento se torna. Estudos desse processo revelaram como os agrupamentos de matéria cresceram com o tempo, e encontraram a marca da energia escura.
Portanto, definir e especificar o que é a energia escura e de onde ela vem, ou como se formou, provavelmente serão questões que demandarão tempo e estudos ininterruptos, pois como podemos estudar apenas este universo, não temos meios de fazer comparações com outros, sendo por isso existentes apenas hipóteses concjeturadas em cima de poucos dados experimentais. Basta, então, esperar por melhorias na tecnologia dos detectores e dos telescópios baseados tanto em terra quanto no espaço e avançarmos, novamente, numa aventura de descobertas e, quem sabe, novas quebras de paradigmas.
Sim, passaram-se inúmeros dias desde minha última postagem, mas quero resaltar o quanto estou decepcionado com minha indolência. De qualquer forma, o blog está resurgindo -novamente- e vou tratar de um assunto muito interessante: a energia escura.
Antes de minhas objeções, recomendo nesta postagem que assistam ao conjunto de palestras no site da DES - Brasil ( Dark Energy Survey) sobre energia e matéria escuras. O site é http://www.des-brazil.org/semana/
Por falta de tempo, escreverei amanhã ou depois sobre o assunto! Espero que aproveitem ao máximo a programação acima sugerida.
Este é um vídeo que mostra muito bem a rotação da Terra, além de algumas belas crateras lunares. Ele foi feito por Marco Aurélio, astrônomo amador e editor deste blog. Escrito por Marco Aurélio às 17h46
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Será que o LHC é uma ameaça à vida?
Olá, venho lido e escutado comentários de pessoas leigas com medo de que o experimento do CERN, LHC( Large Hádron Collider) crie miniburacos- negros e que estes suguem a Terra ou o sistema solar ou, até mesmo o Universo(isso foi uma pergunta de uma repórter da Globo a um físico envolvido na construção do laboratório).
É incrível o quanto as pessoas são ignorantes e capazes de, sem informações técnicas suficientes, criarem hipóteses sustentáveis a partir de crenças populares de que tudo estará acabado por culpa de um projeto científico inovador. O medo e a insegurança foram tão exacerbados que houve processos jurídicos para impedir a ativação do LHC e, ocorreu também, um fato estranho e cômico de um indivíduo indiano suicidar-se por receio de ser tragado pelo "monstro cósmico", criado pelos maus cientistas que só pensam em seus interesses e não se preocupam com o mundo em que vivem!
Será que há realmente necessidade de tanto pânico? Primeiro, explicarei como é formado um buraco-negro e, logo após, responderei a pergunta que aflige muitos indivíduos por todo o mundo.
Basicamente, um buraco negro se forma a partir do colapso gravitacional de uma estrela extremamente massiva e tem por finalidade (lógico que instintivamente) sugar tudo que está a sua volta. Nesse processo, altas energias estão envolvidas, pois são elas que originam esse "devorador celeste".
O Cern está trabalhando com altas energias para fazer com que prótons colidam-se e recriem as condições iniciais da formação do Universo, ou seja, ele está tentando recriar o Big Bang! Isso meche com a população desinformada de conceitos físicos pelo fato de que se o Universo originou-se a partir de uma "explosão" e que esta liberou grande quantidade de energia, portanto, é de se esperar que a colisão de prótons também libere altas quantidades de energia e que ela possa criar um buraco-negro, já que este é formado a partir disso e nos sugar!
Bom, realmente existe a possibilidade de surgir um miniburaco-negro, mas ele não pode ser destruidor. Por que? A resposta reside no fato de que eles serão formados por energia de colisão de prótons a qual não é suficiente para criar um buraco-negro significante que possa criar atração gravitacional e sugar ao menos uma partícula, no tempo em que este ficará “ativo”.
Portanto, não há um porquê para desespero. Empreendimentos físicos são importantes para a compreensão da nossa existência; são importantes para responder nossas antigas reflexões filosóficas mais puras como: de onde viemos, para onde vamos, o que é o Universo, como ele se formou etc.
E foi dada a largada para o maior empreendimento físico de todos os tempos! O LHC ( Lage Hádon Colider), maior acelerador de partículas do planeta e, por consequência, a maior máquina deste, foi ativado com total sucesso em sua primeria operação de lançamento.
Hoje, foram lançados dois prótons que estão viajando pelo circuito circular de aproximadamente vinte e sete quilômetros e, a cada volta, a velocidade deles tende a aumentar para que, daqui a algumas semanas, haja uma colisão na qual, segundo os físicos responsáveis pelo projeto, simulará condições iniciais da formação do universo.
Eles esperam encontrar, vasculhando os "cacos" das colisões, partículas antes previstas apenas em teoria, como o bóson de Higs. Há também uma especulação de surgir uma nova dimensão e, com isso, comprovar outras teorias como a Teoria das Cordas que prevê um universo composto por cordas interligadas que vibram, determinando a estrutura e forma do universo.
Contudo, é necessário ainda esperar algum tempo antes de buscar resultados na experiência, pois os físicos e engenheiros envolvidos na contrução e funcionamento do laboratório ainda precisam testar os novos detectores e isso exige colisões. A estimativa para os dados dessas saíres é para os cento e cinquenta dias iniciais do ano de 2009. Agora, resta apenas esperar.
Telescópio Hubble desvenda monstro magnético em galáxia próxima
Com a ajuda do telescópio espacial Hubble, cientistas europeus e norte-americanos parecem ter encontrado a resposta de um antigo enigma ao resolverem o mistério que envolve os gigantescos filamentos coloridos vistos ao redor da galáxia NGC 1275.
A NGC 1275 é uma das galáxias elípticas mais próximas da Via Láctea, onde um buraco negro supermassivo em seu interior sopra bolhas de partículas eletromagnéticas ao redor da galáxia. Segundo os cientistas, esses filamentos são manifestações visíveis de um intrincado relacionamento entre o buraco negro central e os aglomerados de gás ao redor. Os filamentos se formam quando o gás frio do núcleo da galáxia é expulso para fora, criando as bolhas.
Tentáculos Gigantescos A quantidade de gás contido em um único filamento chega a 1 milhão de vezes a massa do Sol e sua largura não ultrapassa 200 anos-luz. No entanto o comprimento se estende a mais de 20 mil anos-luz.
As primeiras imagens do material que compõe os filamentos foram obtidas pela equipe do astrofísico Andy Fabian, ligado à universidade de Cambridge, no Reino Unido, utilizando os dados captados pelo telescópio Hubble.
Novos Conhecimentos Antes das imagens do Hubble os cientistas enfrentavam dificuldades para compreender como essas estruturas tão delicadas se mantiveram estáveis por mais de 100 milhões de anos. "Pelo nosso conhecimento elas deveriam se aquecer e evaporar ou então vir estrelas, mas agora entendemos que os campos magnéticos mantêm o gás no lugar e impedem que se colapse.", disse Fabian.
"Agora constatamos que os campos magnéticos são fundamentais para a sobrevivência dessa rede de filamentos e sem eles essas belas estruturas não conseguiriam se manter virariam estrelas."
O trabalho de Fabian e sua equipe foi publicado essa semana (08/2008) na revista científica britânica "Nature".
Foto: Galáxia NGC 1275, também chamada de Perseu A, situa-se no centro do aglomerado da galáxia de Perseu. A galáxia é muito ativa, e suas emissões no espectro de rádio são bem conhecidas dos astrônomos. Devido à presença de um buraco negro supermassivo em seu centro, NGC 1275 também emite fortemente no espectro de raios-x. A foto é uma composição de imagens do telescópio Hubble, do radiotelescópio NRAO e do telescópio espacial de raios-x Chandra. Créditos: NASA, ESA, NRAO and L. Frattare (STScI).
Depósitos de sal podem oferecer pistas sobre vida em Marte, diz estudo
Depósitos de sal descobertos em Marte evidenciam a existência de água em um passado remoto e podem oferecer provas de alguma forma de vida no planeta vermelho, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira pela revista "Science".
Os depósitos de minerais de cloreto foram descobertos por uma câmera instalada na sonda Odyssey, que viaja em órbita marciana.
Por meio da câmera do Themis (Sistema de Imagem de Emissão Termal da Odyssey, na sigla em inglês), os cientistas da Universidade do Havaí, da Universidade Estadual do Arizona e do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato, na sigla em inglês), da Nasa (agência espacial dos EUA), descobriram cerca de 200 lugares no hemisfério sul de Marte com características que revelam a existência dessas jazidas minerais.
"A Themis nos permite olhar com detalhes o espectro infravermelho termal, que é o melhor para encontrar depósitos de sal longínquos da órbita", disse Philip Christensen, cientista da Universidade Estadual do Arizona.
Cores
As reservas de sal aparecem nas latitudes médias e baixas do planeta, onde o terreno é muito antigo e cheio de crateras, afirmaram os cientistas em seu relatório.
Segundo Mikki Osterloo, da Universidade do Havaí, os cientistas fizeram a descoberta ao perceber mudanças de cores nas imagens proporcionadas por Themis.
"Comecei a observar esses lugares porque mostravam um azul intenso em um conjunto de imagens, verde em um segundo conjunto e laranja amarelado em outro", disse a geóloga, autora principal do relatório.
Segundo Christensen, muitos dos depósitos se encontram em conchas nas quais desembocam uma série de canais.
"Esses são os tipos de características, como as da Terra, que revelam o fluxo de água durante um tempo prolongado", disse.
Quente e úmido
Os cientistas dizem acreditar que os depósitos de sal se formaram entre 3,9 milhões e 3,5 bilhões de anos, época em o planeta era provavelmente muito mais úmido e quente.
Christensen afirma que "por sua natureza, os depósitos de sal apontam para a existência de muita água, que pode ter existido em lagoas antes de sua evaporação".
"Isso é crucial. Para a vida é indispensável que haja um habitat que se mantenha durante algum tempo", acrescentou.
Por outro lado, existe o que o cientista qualificou como "efeito de concentração".
Os depósitos estão em conchas sedimentares e, provavelmente, qualquer rastro de material orgânico se dispersou com o fluir da água.
No entanto, durante um tempo muito longo, "a água que fluiu até a bacia pôde concentrar os materiais orgânicos e é possível que agora estejam bem preservados no sal", declarou a autora do estudo.
Olá, logo após o eclipse (fotos abaixo), o céu ituiutabano não abre mais para boas observações astronômicas. Ja tem um tempo que estou tentando fotografar a lua nova, mas sem êxito. Com isso, segue uma foto desta ainda em fase crescente, poucos dias antes do eclipse.
Alguns comentários sobre essa foto são válidos. Depois de quase um mês sem astrofotografar nada, vi a oportunidade breve de captar essa imagem. Estava eu observando o entardecer quando em alguns minutos o céu estava totalmente limpo. Peguei o telescópio, a câmera e o laptop mas precisei sair de casa. Fiquei aproximadamente quarenta minutos fora e, quando cheguei, fui logo pegar a parafernália de coisas para começar a fotografar. Bem no exato momento da primeira foto, chegaram nuvens ralas e, logo após, estas mais densas. Depois de 25 minutos, estava relampejando e, mais alguns minutos, a chuva começa. Bom, pelo menos, algumas fotos puderam ser feitas e aproveitadas.